Negócios
Conjuntura Econômica

PIB
(variação % em 12 meses)

Em 2011, a economia internacional foi caracterizada por dois cenários distintos. Nos primeiros meses do ano, as perspectivas eram mais otimistas por conta ainda da influência pela recuperação da atividade econômica de 2010. Porém, os eventos climáticos, terremoto, tsunami e crise nuclear no Japão prenunciavam um período de decepções quanto à continuidade da recuperação da economia mundial, marcando o segundo momento.

Em termos de sustentabilidade fiscal, as desconfianças inicialmente tinham como alvo a economia norte-americana, em virtude das dificuldades políticas do governo de aprovar a ampliação do teto de endividamento público. No entanto, a Europa é que foi o principal foco de instabilidade financeira mundial, devido a problemas fiscais de países da zona do euro – em especial Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Além das diversas tentativas para prover liquidez ao sistema financeiro e reduzir custos de rolagem das dívidas soberanas, a deterioração do ambiente econômico levou a negociações para a construção de um novo pacto fiscal por parte da União Europeia.

Inserida nesse cenário econômico global de incertezas, a economia brasileira, apesar de portar sólidos fundamentos macroeconômicos, sofreu uma desaceleração do crescimento em relação a 2010, como mostra o gráfico ao lado:





IPCA X Meta Selic
(%)



Crédito Total: Variação em 12
Meses e Proporção do PIB
(%)

Ainda que as condições do cenário internacional tenham proporcionado menor dinamismo à economia brasileira, a demanda doméstica continuou aquecida, impulsionada, em especial, pela melhora do mercado de trabalho com a criação de um expressivo número de vagas de empregos formais, ascensão de classes sociais e pelo crédito. Em 2011, a taxa média de desemprego ficou em apenas 6,0% da população economicamente ativa.

Esses fundamentos foram os principais vetores de sustentação do mercado interno, cujo dinamismo, em conjunto com a prática de políticas macroeconômicas alinhadas, funcionou como amortecedor para garantir uma maior resiliência da economia brasileira aos efeitos adversos da crise nos países desenvolvidos.

Assim, a meta Selic, que atingiu 12,5% a.a. em julho, recuou ao patamar de 11% a.a. ao final de 2011, mesmo em um ambiente de forte pressão sobre os índices de preços. Contudo, a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um dos índices utilizados para medir a inflação, manteve-se, pelo oitavo ano consecutivo, dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas de inflação.

Especificamente em relação ao crédito, a desaceleração da taxa de crescimento foi menos intensa do que a inicialmente esperada. Com isso, a relação crédito/PIB encerrou o ano no patamar recorde de 49,1% (em 2010, foi de 45,2%). Além da desaceleração da economia, o arrefecimento da expansão do crédito ao longo do ano também refletiu os efeitos da política monetária mais restritiva, vigente até a metade do ano, e das medidas macroprudenciais anunciadas no final de 2010.

Apesar de essenciais para conter o processo inflacionário, essas medidas criaram um ambiente menos favorável ao crédito, influenciando, em parte, a ampliação da inadimplência, notadamente nos empréstimos concedidos às pessoas físicas. Isso, no entanto, não teve impacto na solidez do sistema financeiro doméstico, que permaneceu sustentando condições robustas de capacidade de financiamento.

Dessa forma, o ano de 2011 foi encerrado com uma conjuntura econômica relativamente diferente da que se observava em seu início e, portanto, portadora de incertezas ainda maiores em relação ao cenário internacional. Mesmo que não tenha sustentado o desempenho esperado no início do período, a economia brasileira trilhou um caminho bem mais favorável do que o percorrido pelas economias desenvolvidas, consolidando-se como uma potência emergente em termos de oportunidades de investimentos.

A relação crédito/PIB encerrou o ano no patamar recorde de 49,1%, mesmo com a desaceleração econômica, com a política monetária mais restritiva até meados de 2011 e com as medidas macroprudenciais anunciadas em 2010